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Amordaçados

por Cristina Nobre Soares, em 10.08.17

Não me lembro do nome da minha professora de português do 9º ano. Lembro-me que usava um chapéu de feltro castanho e umas roupas fora de moda. Falava como se estivesse sempre no palco, que gostava de dizer frases que nos chocassem para conseguir atenção e tratava-nos por você, mas sem distância ou frieza. Não tinha papas na língua, e picava-nos para dizermos que o pensávamos. Um dia, durante uma das muitas discussões na aula, em que ela nos levava ao limite, o Miguel protestou e disse, ó setora, também não podemos dizer tudo o que pensamos! Ai, não? Perguntou ela com ironia, e diga-me lá, porque não? Porque nos arriscamos a arranjar chatices com toda a gente e a ficarmos sozinhos. E ela, sem responder, escreveu no quadro: Não há maior solidão do que a dos que vivem a vida amordaçados. Nunca nos disse de quem era a frase.

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1 comentário

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De David Marinho a 10.08.2017 às 18:23

Verdade! Talvez na altura, com aquela idade, um miúdo não perceba mas vai sempre a tempo de aprender

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