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A universidade é feita de pessoas, para pessoas

por Cristina Nobre Soares, em 16.12.16

A  minha crónica de hoje, no P3.

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3 comentários

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De Narciso Santos a 18.12.2016 às 17:35

Eu devo ser "um dos seus amigos"... Pois a licenciatura acho que aproveitei uns 30%. Do mestrado uns 15%. Do doutoramento somente uns 5% se conseguir o "papel". O mundo académico está completamente desfasado da realidade do mundo laboral e do mercado. AS universidades "Vomitam" doutores e não os preparam para o mundo / selva real que os aguarda com "unhas e dentes". Infelizmente os professores na sua maioria são meros académicos que nunca colocaram os pés numa empresa, por isso ensinam teoria obsoleta que em nada corresponde à realidade, basta olhar para 12 anos atrás onde não existiam facebooks, airbnb, linkedins, etc...
É preciso adaptar "casar" as empresas com as universidades, mas enquanto quem ensina não sabe o que é uma empresa torna-se tarefa muito complicada.
Ou basicamente eu fui um baldas e tive azar em tanto tempo de faculdade e continuo com o mesmo azar...
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De Cristina Nobre Soares a 18.12.2016 às 18:21

Sim, sem dúvida que há um tremendo desfasamento da realidade entre o mundo real e o mundo universitário. Há cursos com planos curriculares que não lembram a ninguém, só para justificar horas e contratações.No entanto, e foi o que eu quis transmitir com este texto, penso que o trabalho tenha de ser feito de ambos os lados. Há, também, bastante inercia da parte de alguns alunos.
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De Narciso Santos a 18.12.2016 às 23:02

Olá Cristina
Cá está o chato novamente. Em primeiro lugar queria dizer que concordo com o artigo que escreveu.
Esta temática dá "pano para mangas" e poderia-mos fazer um blog só a falar sobre este tema.
A inércia por parte dos alunos nas licenciaturas é complicado de falar dela, pois quando lá chegamos, "aterramos de para-quedas" e não sabemos o que nos espera. Outra coisa que acontece é a velha máxima do "professor ter a faca e o queijo na mão" por último a maior parte dos professores (que pressupõe ensino) deixou de o ser. Neste momento nas faculdades temos "publicadores" a "ensinar" pois 60% da sua avaliação e feita com base nos artigos que publicam nas revistas da especialidade deixando para segundo ou terceiro plano a parte do lecionar.
Nunca tinha chumbado a uma cadeira e de facto tal aconteceu em Portugal quando indaguei 2 professores nomeadamente de "Marketing e Ética" e "Inovação e Empreendedorismo" e chumbei por o ter feito, pois não concordava com o que estavam a "lecionar".
Muito se passa nos corredores das faculdades que nós desconhecemos, mas suspeitamos...
Por isso mudei o Doutoramento para Espanha e só fiquei a ganhar, pois a nível de prestígio é melhor para mim, e a nível de propina é uma diferença abismal. Portugal, 3500€ / Ano; Espanha, 200€ / Ano, como explicar isto???
Obrigado.
P.S. deixo um testemunho de um Professor meu que me enviou um email na semana passada: "Tens razão, muitos dos teóricos doutorados não têm noção das realidades, estão, na verdade, desactualizados no conhecimento porque têm uma cultura livresca em fontes já ultrapassadas, etc. E, em especial em domínios como a gestão, em que é impossível ensinar realmente se nunca se praticou, com frequência não estão sequer preparados para ensinar. Mas não têm consciência disso. Mas, mesmo que, em substância, não represente tanto como poderia, acabares o doutoramento pode vir a ser uma vantagem. Mesmo que o que sabes e venhas a saber não tenha sido aprendido com o doutoramento."

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