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O meu irmão tem uma máxima de vida muito interessante: Diz ele, que não acredita que as pessoas façam más escolhas deliberadamente. Que isso não tem lógica, pois somos todos seres inteligentes ou até teríamos entrar mesmo num julgamento moral sobre ser-se boa ou má pessoa. Diz ele, que fazemos sempre (ou acreditamos que fazemos) a melhor escolha possível dentro das hipóteses e informação temos. E faz sentido. Principalmente no que diz respeito a filhos. Queremos sempre o melhor para eles. Por mais bizarras que sejam as opções que tomamos, achamos sempre ser o melhor. Por mais que esqueçamos que os filhos são "nossos" apenas emocionalmente, e o que fazemos os afectará irremediavelmente. Para o bem e para o  mal. Faz parte de ser pai e mãe. Mas no caso desta criança que morreu de difteria, a decisão dos pais, foi-lhe fatal. A minha questão com estes pais é a fácil queda na tentação do medo. Esta questão das vacinas foi levantada à conta duma eventual correlação que havia com o autismo. Nunca foi provada. E o autor desse estudo já veio a público desmentir-se. O medo tolda-nos o entendimento. E por vezes a vontade de querer aprender, e só aprendendo é que aumentamos o número das tais hipoteses perante a partir das quais fazemos a melhor escolha possível. Pior: aprender  não inclui apenas teorias "new age", mastigada em artigos e vídeos alarmistas. É muito mais. Implica muitas vezes o exercício de humildade para aprendermos aquelas coisas chatas, teóricas e aparentemente inúteis, que costumam ter a grande virtude de nos dar pensamento critico. O que eu não percebo, e acho que nunca perceberei, é o que é o conhecimento tem de tão assustador, para que as pessoas o temam tanto. Aliás sempre o temeram. Basta recordar o que acontecia na Idade Média. O que se passa na nossa humanidade para que tudo o que de bom que construímos, até agora, ciência, democracia, educação, progresso, seja implodido desta forma, em troca da soberba da ignorância?  Que moralidade há na opção da não vacinação  quando a cada minuto que passa há crianças que morrem por não terem acesso às mesmas, simplesmente pelas condições miseráveis em que vivem? Não compreendo. E acima de tudo, disto sim, tenho medo. Muito.

 

A respeito desta notícia.

 

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11 comentários

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De Joana Rita a 29.06.2015 às 11:02

A gestão pelo terror tem dois lados, ou duas frentes: o medo da doença que a vacina poderá prevenir ou evitar versus o medo da doença que se poderá contrair com a própria vacina.
A informação é a única arma para combater um medo e o outro. E o bom senso (essa coisa terrível) é muitas vezes aquele que toma a última decisão - para o bem e para o mal.
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De Cristina Nobre Soares a 29.06.2015 às 11:04

Sem dúvida, Joana. Tudo reside nesses dois pilares : informação e bom senso. Que se tornam apenas num quando bem usados: discernimento .
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De Joana Rita a 29.06.2015 às 11:10

O bom senso é mesmo uma coisa terrível - e um pilar de plasticina, demasiado frágil.
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De Andy Bloig a 29.06.2015 às 12:31

Há muita coisa que depende da informação (e, neste momento, a internet é demasiado forte e basta uma procura para teres mais informação sobre qualquer coisa do que há 25 anos atrás se conseguia ao passar 4 meses numa biblioteca a recolher informações sobre a mesma coisa) outra dependem da vontade e da forma como nos deixamos enganar.
A maioria das vacinas do SNS são para evitar certo tipo de doenças que podem ser demasiado contagiosas. Depois há as outras. Quem ignora as vacinas obrigatórias, sujeita-se.

Agora nas outras (que não é este caso que referes) há por aí muita informação que não passa de publicidade. Vê o caso da Gripe dos Porcos. Foram gastos mais de 40000 milhões em comprimidos, mais de 56000 milhões em vacinas e 4 milhões de portugueses foram vacinados contra a Gripe em 2013. Em 2014, só 1 das 17 estirpes que infectaram pessoas, estava meio coberta pela vacina. Estranho foi que essa notícia só foi dada quando já estava a ser preparada a campanha de vacinação para o ano seguinte. Os noticiários andaram com os avisos da OMS sobre "milhares de milhões de mortes" se não tomassem as vacinas para a gripe... quando aquilo falhou, as notícias passaram para as páginas dos jornais e os peritos escaparam-se ás perguntas.
E o medo colheu muita gente... foram enganados e agora já pensam que a vacina não vale de nada. É o problema de termos acesso a demasiada informação de fontes "supostamente" confiáveis.
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De Cristina Nobre Soares a 29.06.2015 às 12:37

Sim, não era a este tipo da vacinas que me referia, mas sim às incluídas no plano nacional de vacinação. E tens razão, a informação alarmista, a má informação, seja ela por desleixo ( e como a comunicação social está cheia dela) seja ela por interesses económicos e políticos que nunca são revelados são sem dúvida uma das principais causas do medo.
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De Alex a 29.06.2015 às 16:03

Esta questão çembra-me uma professora catedrática de Imunologia. Foi abordado a vacinação e por conversa ela informou-nos que não tinha vacinado nenhum dos seus filhos e os motivos. Fiquei tão chocada com aquilo. Mesmo escandalizada.
Sempre que vejo um caso destes recordo-me da aula.
Eu vacinei os meus filhos. Seja com as do plano, seja com as que me custaram os olhos da cara. Não era capaz de correr o risco, nem por mil motivos...
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De Cristina Nobre Soares a 29.06.2015 às 16:49

Olá Alex

E que motivos é que foram alegados?
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De inconfessável a 30.06.2015 às 13:12

Há vacinas que já não trazem discussão, acho eu. mas há outras em que a discussão é plausível e até benéfica as atitudes negativas.
Que dizer da última pandemia anunciada? Eu recusei vacinar-me e não deixaria um filho meu fazê-lo.
Por isso o discernimento e o bom senso, como dizia a Joana, são tão frágeis.
Segundo a minha opinião, inconscientes foram todos aqueles que se vacinaram ou deixaram vacinar os filhos.
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De Cristina Nobre Soares a 30.06.2015 às 14:26

Inclui nessa inconsciência a vacina contra a varíola , cujo virús, ainda em 1967, matou 15 milhões de pessoas? Ou a da tuberculose?
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De Cristina Nobre Soares a 30.06.2015 às 14:28

E já agora, eu também nunca vacinei a minha filha, nem me vacino, contra essas ditas pandemias. Por enquanto. Até hoje pela informação ( credível) que recolhi nunca me pareceu suficientemente válido ter de o fazer. Até hoje.
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De inconfessável a 30.06.2015 às 17:33

essas são daquelas que não têm discussão, Cristina, pelo menos para mim

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