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A memória é uma visita indisciplinada

por Cristina Nobre Soares, em 16.07.17

Enquanto termino um trabalho para amanhã, lembro-me a despropósito do cheiro das glícinias na Avenida de Ceuta. Íamos as duas atrasadas para uma reunião, já era quase noite e estava calor. Eu pedi-lhe, abranda só um bocadinho o passo, só para sentir o cheiro. Não me lembro ao certo quando é que isto foi, nem sequer tenho a certeza se o cheiro seria das glicínias. Nem sequer sei porque me lembrei disto, agora, em Julho, onde o único cheiro que se sente é o da erva seca e só quando o vento sopra do outro lado da casa. Realmente, a memória é uma visita indisciplinada, sem maneiras, que nos entra pela porta adentro e, sem aviso nem autorização prévia, larga-nos lembranças avulsas na mesa. A memória, às vezes, é um bocadinho carroceira, talvez por isso haja quem, mal ela se vai embora, se apresse a varrer e a pôr o sítio o que ela desarrumou. Eu não. Arrecado tudo nestas anotações de trazer por casa. Talvez por serem naturalmente desarrumadas e habituadas a este entra e sai.

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