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A família dos Carvalhos*

por Cristina Nobre Soares, em 17.10.17

Atrás do muro da minha casa vive um carvalho. Penso que seja um carvalho-cerquinho (ou carvalho-português), mas as aulas de botânica a que faltei tiram-me algumas certezas sobre isto. Por isso quando me perguntam que árvore é aquela, digo apenas que é um carvalho e as pessoas ficam satisfeitas. Mal sabem elas que isto não diz quase nada. É a mesma coisa que passando alguém na rua eu dizer, olha vai ali um Silva. A família dos carvalhos*, como todas as famílias grandes, é diversa. Há gente para todos os gostos. Divide-se logo em dois grandes grupos, os de folha caduca e os de folha persistente. Um dos membros de folha persistente é bastante popular, toda a gente reconhece à conta da cortiça e da paisagem alentejana. O Sobreiro é uma espécie estrela da família, toda a gente aqui da aldeia sabe quem ele é. Um gajo simples, mas conhecido por esse mundo fora. Do ramo dos persistentes há outro membro, muito religioso por sinal, diz até que a Nossa Senhora lhe apareceu em cima, a Azinheira. Todas as famílias têm uma beata. Faz parte. Depois há os outros de que toda a gente fala, mas que conhecem pouco: os carvalhos de folha caduca. São um ramo da família menos azeiteiro, menos dados a lides populares, mais metidos com eles. Já se sabe que nas famílias há sempre um ramo mais aristocrático (ou com a mania que é) que dá pouca confiança. É o caso do Carvalho-alvarinho (roble) e do Negral. Gente de porte nobre e distinto. Tipo aqueles tios afastados que vivem num solar do Norte e que nos tratam por você, mesmo quando temos cinco anos. E depois temos o porreiraço da família, o Cerquinho, tão português que até tem um diminutivo do nome. Tão português que ninguém dá por ele. Só lhe falta um bigode. Um bacano que hibrida com os outros carvalhos e à conta disso, às vezes, torna-se difícil de identificar. Devíamos conhecer melhor esta família. É difícil amarmos verdadeiramente aquilo que não conhecemos.

 

*caros senhores mais puristas, a questão da família vem aqui como uma metáfora. Eu sei que Quercus é um género.

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