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A escola ficava numa curva

por Cristina Nobre Soares, em 12.09.17

Íamos em grupo para o Ciclo, que ficava a uns vinte minutos a pé a partir da casa da avó da Patrícia, onde era o nosso ponto de encontro. Vinte minutos à ida, porque à vinda, por ser a sempre a subir, demorava mais, a atirar para a meia hora. Íamos sozinhos, sem pais. Estávamos por nossa conta e sentíamo-nos importantes por isso. Só o Nuno Luís ia de carro com a mãe. Mas ele não precisava da aventura de ir sozinho para se sentir importante. Era rico e a gente começava a aprender que os ricos não precisavam de ganhar importância. A mãe do Nuno Luís parava o carro azul-escuro, muito grande e muito polido, junto ao portão, ajeitava-lhe o cabelo cortado à tigela, ele entrava connosco e mesmo vestido com os seus pullovers finos passava a ser um de nós. Dava o primeiro toque da manhã e o pátio ficava vazio. A escola ficava numa curva, entre um bairro da lata e os prédios de gente bem. Lá em cima, na colina, ficava o nosso bairro de prédios todos iguais. O resto era caminho.

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1 comentário

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De Ana Silva a 14.09.2017 às 12:34

Gosto tanto, mas tanto da sua escrita.

Obrigada por me proporcionar estes bombons literários.

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