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A Dona Odete

por Cristina Nobre Soares, em 05.04.17

Há uma mulher a falar ao telemóvel no meio da rua. Fala excessivamente alto, toda a gente ouve a conversa. Usa um vestido com padrão animal ainda mais estridente que o tom de voz. Há qualquer coisa nela que me faz lembrar a Dona Odete, a dona da papelaria do meu bairro. A Dona Odete usava um cabelo muito armado e uns vestidos garridos. Tinha um ar agastado e estava a sempre a discutir com o marido, que era quem tirava as fotocópias. Mas o pior era a filha, a Célia. A Dona Odete nunca sabia da filha e vinha chamá-la para a porta da papelaria, com uma voz esganiçada que estoirava dentro da cabeça de quem passava: Ó Céeeelia! Ó Céeeelia! A Célia, que era uma adolescente terrivelmente enjoada, acabava sempre por aparecer. Quando a mãe lhe perguntava onde é que ela tinha estado metida respondia, estava ali na praceta a pintar as unhas. Os clientes entreolhavam-se e sorriam de fininho. Não sei se alguma vez a Dona Odete chegou a descobrir que a manicure da Célia se chamava João Paulo e tinha uma mota em segunda mão.

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2 comentários

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De Happy a 05.04.2017 às 15:45

Ahahah, gostei|
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De C.S. a 05.04.2017 às 18:02

Adorei! Como sempre...

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