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Ensinar também é ler - Retratos do FOLIO #4

por Cristina Nobre Soares, em 29.09.16

 

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O 4º retrato do FOLIO: desta vez  é sobre quem ensina o gosto pelos livros.

 

 

Conta-nos que começou a gostar de poesia no dia 25 de Abril de 1974. O pai, ao contrário do que costumava fazer todos os dias, nessa manhã não ligou o rádio. E ela apanhou a camioneta para a escola, como sempre. Sem saber o que estava a acontecer. Ao chegar ao liceu disseram-lhe, a ela e aos outros alunos, que não havia aulas naquele dia porque estava a acontecer uma revolução em Lisboa. Então, a professora de português, Irene Vivas, para que não ficassem na rua, levou-os para uma sala onde lhes leu um texto de Manuel Alegre. Um texto censurado até àquele dia. Era um texto em prosa, diz-nos a professora Ângela Oliveira. Mas tocou-me tanto, mas tanto, que eu tive de ir à procura de mais coisas escritas por ele. E descobri a sua poesia. E depois a de outros. E de outros. Aquela leitura da minha professora abriu-me um mundo que eu não conhecia. A poesia muda-nos a forma de ver o mundo, porque a partir do momento em que a conseguimos interpretar, também conseguimos interpretar o mundo.

 

A professora Ângela é professora de História e Português, do 2.º ciclo em Óbidos. Conheci-a numa festa de Natal da escola da minha filha. Entrou em palco com uma turma dela e poesia de Marguerite Yourcenar, mais ou menos entre as canções de Natal e a actuação do mágico. Fiquei a pensar que gostaria que ela um dia fosse professora da minha filha. Foi. Tivemos sorte. Olho-a, agora, sentada numas escadas em Óbidos, ao 7.º dia do FOLIO, e enquanto nos fala sobre poesia, com uma emoção que lhe faz perder o ar sério, eu penso que ser professor é isto. É esta passagem de testemunho, quase mágica, que atravessou séculos de humanidade. A professora dela abriu-lhe o mundo da poesia. Ela, por sua vez, abriu esse mundo à minha filha e aos filhos dos outros.

 

Pergunto-lhe o que acha que faz falta na escola. Pensa um bocadinho e responde: “Mais do que equipamentos e materiais faz falta uma reflexão mais profunda sobre o que está a acontecer menos bem na escola. E a aprendizagem tem de voltar a ser valorizada, porque a escola ainda continua a ser um dos melhores veículos de progressão.”

 

Pergunta-nos se conhecemos o jardim da Biblioteca Municipal. Eu e a Marta dizemos que não. E enquanto ela nos guia pelas ruas de Óbidos, fala-nos sobre a falta que a leitura pública faz. Que hoje se fala muito em livrarias e pouco em bibliotecas. Que a leitura pública é realmente a mais acessível. E a todos. Porque não depende do poder económico de cada um. Li muitos, muitos, livros de biblioteca, conta-nos. Os meus pais sempre que podiam compravam-me livros, mas, provavelmente não poderiam ter comprado todos os que li. Nem a mim, penso eu.

 

Antes de terminarmos a conversa, já na Biblioteca Municipal pergunto-lhe se gosta de ser professora. Sorri e diz-me que sim. “Ensinar também é ler, porque a vida é leitura. Lemos tudo. E ao ensinar estou sempre a ler e aprender.”

 

 

 

 

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Max

por Cristina Nobre Soares, em 26.09.16

Um homem passeia o cão na minha rua. O cão é um pastor alemão, daqueles que aparecem, muito espertos, nas séries policiais. Havia uma série portuguesa dessas. Não me lembro como se chamava o cão. O homem traz a trela numa mão e um cigarro na outra. O cão ladra a um coelho. Está calado, diz-lhe o homem. O cão faz-lhe a vontade e senta-se. O homem apaga o cigarro com o calcanhar e acende outro. Max, inspector Max, era como se chamava cão.
(Não, desta vez não há poesia de algibeira. Era só isto.)

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Um D.Quixote chamado Mafalda - Retratos do FOLIO

por Cristina Nobre Soares, em 26.09.16

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Estava aqui a pensar no que haveria de escrever para partilhar este 3º retrato do FOLIO
Mas o que eu queria dizer sobre a Mafalda Milhões está aqui. O resto seriam floreados que não fazem falta nenhuma. Nunca fazem.
E a foto é da Marta Poppe

 

Eu ainda não tinha chegado a Óbidos quando conheci a Mafalda. Nesse tempo eu ainda vivia numa outra vida que hoje me parece tão longe, numa raia para a qual nunca se olha para trás. Lemos uma notícia no jornal, que falava numa livraria infantil que abrira nos Casais Brancos. Ninguém abre uma livraria num sítio como os Casais Brancos, comentei. Mas pelos vistos uma mulher chamada Mafalda Milhões abrira. Fomos lá, num daqueles Domingos em que o nada para fazer nos manda fazer qualquer coisa. Quando lá chegámos senti-me em casa. Não por ser uma casa feita de livros, mas por ser uma casa feita de Mafalda. Porque uma casa que é feita de Mafalda é uma casa feita de um material de construção raro. Uma argamassa de sonhos, pessoas e de muita, mas muita teimosia. Lembro-me de achar impossível caber tanta coisa num corpo franzino como o dela. Principalmente os olhos, esses com demasiadas histórias para uma pessoa só.

 

Passou uma mão cheia de anos desde esse Domingo. Pelo meio, eu e a Mafalda fomo-nos conhecendo, daquele conhecer a que se chama amizade. Até porque é fácil sermos amigos de um Dom Quixote. Eles guiam-nos pela mão. Não nos deixam desistir. São criaturas com uma força tramada, estes Dons Quixotes, pela simples razão que acreditam. Simplesmente acreditam. De lá do alto da livraria, a vermos Óbidos cá em baixo, as duas tivemos ideias malucas, concretizámos algumas, partilhámos angústias, desilusões, vitórias. Um dia, com uma caneca de chá na mão e pressentindo a minha vontade de desistir de um lugar, a Mafalda deu-me um dos conselhos mais preciosos que algum dia me deram: “Faz as coisas porque tu achas que podem fazer a diferença. Os outros não interessam.”

 

Hoje, a livraria “Histórias com Bicho” reabriu, depois de um par de anos de tormentas. Depois de dois Invernos rigorosos, um chuvoso e aquele outro que nos caiu sobre a economia do país, a livraria teve de fechar as portas. Mas hoje abriu-as de novo. Em pleno FOLIO, do qual ela é a curadora do Folio Ilustra. Toda a gente tem um sítio melhor para esta livraria, diz-nos a Mafalda, mas, para mim, ela tem de estar aqui. Que hei-de eu fazer? E eu penso, que é isso, que as coisas que fazem a diferença são aquelas que nos fazem sentido, mesmo quando os outros lhes chamam moinhos de vento, sem conseguirem ver os gigantes que nos assombram. E que não há maneira mais bonita de celebrar os 400 anos de Cervantes do que ouvir este D. Quixote chamado Mafalda a concretizar-se, com o castelo e o mar a verem-se lá em baixo, ao fundo.

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Moinhos de vento

por Cristina Nobre Soares, em 25.09.16

Quando era miúda intrigavam-me as bilhas presas nas velas dos moinhos. Um dia disseram-me que serviam para saber a orientação do vento. Que consoante a direcção dele as bilhas cantavam de forma diferente e que assim podiam orientar as velas. Hoje, enquanto escrevia sobre moinhos de vento e gigantes que mais ninguém vê, pensava que moinhos temos todos. Gigantes imaginários também. E que no fim só temos de aprender a ouvir o som do nosso vento.

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Retratos do FOLIO #2 - Manhã Submersa

por Cristina Nobre Soares, em 23.09.16

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Foto: Marta Poppe

 

(Para fazermos o segundo retrato do FOLIO, eu e a Marta fomos à missa. E eu lembrei-me da Manhã Submersa de Vergílio Ferreira. Uma memória, ali, à porta da igreja. Mais um retrato de Óbidos.)

 

Vamos à missa? Pergunto à Marta. Ela ri-se, mas diz-me que sim. Dentro da igreja de São Pedro estão apenas velhos e alguns turistas. Algumas caras conheço de vista, mas não sei quem são, nem como se chamam. São pessoas que vivem em Óbidos, talvez dentro das muralhas. Olho o altar de talha dourada, a penumbra, as rezas e lembro-me da igreja da aldeia da minha mãe. Na igreja da aldeia da minha mãe, onde íamos nos casamentos e baptizados, Deus pesava-nos na luz filtrada pelos vitrais, nas vozes que se arrastavam numa perpétua penitência. Era um Deus que abafava as cores das roupas e que não nos deixava chegar perto, ficávamos sempre à soleira da porta. Um Deus que nos exigia uma compostura estóica, mesmo quando as meias de renda me rolavam pelas pernas abaixo, e eu não me mexia com medo fazer qualquer coisa errada, daquele errado que nos tira o ar por não sabermos bem como é. E ficava ali, quieta, a imitar os outros, com as meias enroladas por cima dos sapatos, pensando que assim, talvez Deus não reparasse em mim.

 

As pessoas começam a sair da missa, o padre é o último a sair, a Marta protesta com um homem que estacionou em frente à porta da igreja, estragou-me a foto, e eu, vinte e sete anos antes, num dia qualquer, depois do liceu, tiro um livro de capa azul escura e letras verdes da estante dos meus pais. Manhã submersa. Chama-me à atenção o título, que repito em voz alta antes de abrir o livro, manhã submersa. Olha que é um bocadito pesado, a minha mãe a avisar, manhã submersa, o livro a engolir-me e eu a perceber que há coisas que só nos entram no avesso quando são escritas na língua onde nascemos. Eu, em plena claustrofobia da adolescência, a entrar na claustrofobia de outro adolescente, a palavra claustro a ganhar paredes espessas para além da religião, o ar a faltar-me e a descobrir um dos escritores da minha vida. Olha que é um bocadito pesado, e o Deus da igreja da aldeia da minha mãe a pesar-me nos ombros, a meia de renda a rolar-me perna abaixo, eu com medo de a subir, e a deixar-me ficar à soleira da porta de qualquer credo ou religião.

 

Já saíram todos da missa. Penso que hoje, no dia em que Vergílio Ferreira me regressou à saída da missa da manhã, começa o FOLIO. Comento com a Marta que gostava de ouvir a palestra do Eduardo Lourenço sobre Vergílio Ferreira. Falo-lhe da “Manhã submersa”, tenho de ler, diz-me enquanto guarda a máquina fotográfica, e eu, volto a casa dos meus pais, num outro fim de tarde depois do liceu, fecho o livro, e fico durante uns momentos a olhar para a capa azul escura e a pensar que, longe dos olhos de um qualquer Deus, a vida às vezes pode ser apenas um foguete prestes rebentar-nos nas mãos.

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Retratos do FOLIO

por Cristina Nobre Soares, em 21.09.16

Um dia destes lembrei-me: E se o FOLIO - Festival Literário Internacional de Óbidos, fosse contado através de retratos? De retratos de pessoas e dos momentos que fazem Óbidos? Fui a correr falar com a Marta Poppe. Ela disse que sim. Afinal retratos é connosco. E pronto, aqui está o primeiro de seis retratos que iremos fazer ao longo do FOLIO, que começa amanhã. Seis maneiras diferentes de falar de literatura e de livros. Porque a literatura acontece-nos sem floreados, nem elitismos, vestida de pessoa normal como nós. Também podem ler aqui, no P3: Retratos do FOLIO.

 

Fotografias: Marta Poppe.

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A Lena das flores chama-me Cristininha, apesar da nossa diferença de idades não ser grande. Olhem, ajeitem-se aí que tenho umas coroas para fazer, há café na cafeteira na mesa lá de dentro, ainda está quente, diz-nos a mim e à Marta. Toda a gente em Óbidos conhece a Lena das flores, mas eu tenho para mim que foi ela quem os conheceu primeiro. A Lena diz que é dona do castelo, e parece que quem lhe conquista o coração tem direito a uma pedra da muralha. Enfim, ir à Lena das flores é não é bem ir a uma florista, é mais como ir a casa. É sentirmo-nos em casa. Porque a Lena é Óbidos.

 

Olhem, diz-nos, ainda agora esteve aqui um senhor que vem cá todas as segundas-feiras buscar uma rosa para deixar na fotografia da mulher. Baixa a voz, é viúvo, mas não a esquece. E tem de ser sempre uma rosa, vejam lá. Não quer das outras flores. Enquanto conta a história do homem das segundas-feiras, nunca lhe diz o nome. É só um homem que mata as saudades da mulher com uma rosa, às segundas-feiras, e pronto. Comento que aquela história das rosas e dos nomes me está a fazer lembrar a conversa de balcão do Romeu e Julieta: Afinal o que existe num nome? Ai, isso já não sei, diz-me a Lena. Isso são as suas palavras complicadas, ó Cristininha. Eu cá não sei falar assim, só sei falar com o coração.

 

E eu lembro-me daquela frase de José Saramago, que diz que somos todos escritores, só que uns escrevem e outros não. Penso que, mesmo sem as palavras bonitas, o que a Lena sabe sobre que existe nos nomes das flores não se fala nas palestras sobre a obra de Shakespeare. Que este, cujos 400 anos serão celebrados umas ruas acima, também pode existir nas pequenas coisas, como na das segundas-feiras do homem sem nome. E que as tais palavras que não são bonitas, mas que saem à boca do coração, são as que realmente escrevem as páginas dos livros. Vai ao Festival,  Lena? Pois, claro que vou. Se é no meu castelo eu vou. Mais livro, menos livro, o que me interessa são as pessoas do meu castelo. As pessoas. As pessoas, ouviu? A Marta aponta-me um calendário aberto ao dia de hoje: "Nada me deixa tão feliz quanto ter um coração que não se esquece dos seus amigos." ("Ricardo II", William Shakespeare). Rimo-nos. A literatura acontece-nos assim: sem floreados, nem palavras caras. Em qualquer lugar, ali, à boca do coração, vestida de pessoa normal como nós.

 

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Considerações avulsas sobre este Sábado

por Cristina Nobre Soares, em 17.09.16

• Arrefeceu.

• Diz que há um tipo que escreveu um livro com alcoviteirices de políticos.

• Lembrei-me quando os miúdos da minha turma quiseram comprar a revista com a escandaleira do Taveira.

• A vizinha do rés-do-chão da antiga casa dos meus pais também era mulher para escrever um livro desses. Sem a parte dos políticos.

• Os miúdos da minha turma não conseguiram comprar a revista. O senhor Leonel, que tinha um quiosque, não foi na fita. Mas o irmão mais velho de um deles comprou e eles foram ver aquilo para trás do ginásio.

• A minha vizinha nunca escreveria sobre políticos. Não gostava deles. Dizia que eram todos uns malandros.

• O país tem dias que me cansa.

• Arrefeceu.

• Já deve haver marmelos na praça.

 
 

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Copiar soa a quarta classe mal tirada

por Cristina Nobre Soares, em 16.09.16

Trabalho com o material open source mais antigo do mundo: a escrita. Toda a gente aprende a escrever em pequenino. Toda a gente sabe redigir, melhor ou pior. Mas ninguém sabe como se chamava o senhor que inventou a escrita. Dizem que era sumério e que precisava de uma coisa que o ajudasse a fazer a contabilidade das bilhas de cereais. Ou se calhar foi outro e ele é ficou com a fama. Acontece. O que é certo é que ao longo de milhares de anos foram inventados vários sistemas de escrita, várias ortografias sobre cada um dos sistemas. Toda a gente manda um bocadinho neste sistema open source. Ninguém é dono do pretérito mais-que-perfeito, do reflexivo ou das orações subordinadas. Mas já a forma como as usamos, e aquilo que criamos com elas, isso já é outra conversa. Copiar as ideias dos outros e fazê-las passar por nossas, (que também é um sistema de trabalho open source muito antigo) para além de ser muito feio, é uma coisa muito diferente. Copiar as ideias dos outros é assim como escrever com erros ortográficos: Parece igual, mas não é. É foleiro, saloio, desleixado, soa a quarta classe mal tirada. E os mais atentos notam, mas ninguém tem coragem de dizer.

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Os cromos dos livros

por Cristina Nobre Soares, em 14.09.16

Os cromos dos livros são umas criaturas estranhas. São uns cromos sem grande utilidade. Por exemplo, dá jeito conhecer um cromo dos computadores, ou um daqueles cromos da cultura geral, tipo wikipédia,que sabem que na tabela periódica o lítio fica por cima do sódio e que o Napoleão era corso. Esses sim, dão jeito. Os cromos dos livros nem por isso. Ficam para ali perdidos, a lamber quilómetros de páginas. Os cromos dos livros são diferentes dos cromos intelectuais. Nada a ver. Duas variedades de cromos completamente diferentes, até porque os cromos dos livros são menos dados à massa preta e ao tabaco de enrolar. Também não são cromos com estilo, tipo os cromos do surf e da comida saudável, que estão sempre bronzeados e cheios de antioxidantes. Não, um bom cromo dos livros tem um ar enfezado, despenteado, assim meio de trazer por casa. Também nunca se deve dizer a um cromo dos livros que só vimos o filme porque o livro era chato. Ficam piores que uma barata. Isso nunca. Se querem ver um cromo dos livros voltado do avesso é dizerem-lhe isso. De resto são criaturas que dão poucos problemas.Ficam quietos em qualquer canto desde que se lhes dê qualquer coisa para ler. Fáceis de contentar. Digo eu. Mas nem todos os cromos são como eu.

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Domingo

por Cristina Nobre Soares, em 11.09.16

Fecho as cadeiras que ficaram cá fora e o frio na cara lembra-me que devia ter vestido uma camisola. Gosto destas manhãs, em que a luz já se abriga do frio nos cantos da rua. É sinal que o Outono está a chegar. Antes assim.

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