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6 sinais de que estamos a ir para velhos

por Cristina Nobre Soares, em 31.08.16

1.Parecemos mais pacientes. Mas não nos tornamos mais pacientes. Mandamos é às urtigas o que nos tira a paciência.
2.Parecemos mais sérios. Mas não nos tornamos mais sérios. Aprendemos é a disfarçar a parvoíce.
3.Passamos a ter menos certezas. Isto é um sinal fundamental: se sentes que já não tens certeza de nada, então é porque deves estar a ir para velho.
4.Não nos damos ao trabalho de levar as coisas a peito. Percebemos é que não somos assim tão importantes. Nem as coisas. Nem o peito.
5.Achamos que tudo se cura com aspirina, creme nívea e tempo. Até o próprio passar do tempo.
6.Nunca achamos que parecemos mais velhos. Só os outros. Os outros sim, envelhecem imenso. Nós não, estamos óptimos. Mesmo quando já vemos mal ao longe.

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Cimentos

por Cristina Nobre Soares, em 30.08.16

Aquele momento em que estás a carregar tijolos e blocos de cimento para um carrinho no Maxmat e tens toda uma panóplia de sorrisinhos masculinos. E pensas que:

  1. O corredor que te está destinado deve ser o das plantinhas e jardinagem
  2. É melhor dizer aos leitores que não tens nada contra as plantinhas e jardinagem antes que se abespinhem.
  3. O dos artigos de casa de banho também te deve ser permitido
  4. O das madeiras vai lá, vai.
  5. Também não é de menina as utilizações alternativas para o tijolo, que te passam pela cabeça.

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Vagaroso

por Cristina Nobre Soares, em 29.08.16

Penso que deve estar um dia quente em Lisboa. Às vezes, naqueles dias de calor espesso, o Verão percorre-lhe vagaroso as calçadas. Talvez para que o equinócio não chegue depressa ao rio. Os velhos também andam devagar. Lá terão o equinócio deles. Às vezes penso nestas coisas sem sentido. É sinal que tenho saudades.

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A má poesia deixa os lábios peganhentos

por Cristina Nobre Soares, em 26.08.16

Há palavras que sozinhas parecem poemas. Daqueles que guardamos em papelinhos amarrotados nos bolsos das calças, juntamente com o papel da pastilha elástica ou com o bilhete do autocarro, para lermos baixinho quando ninguém estiver a ouvir. Outras servem apenas para limpar os cantos da boca. A má poesia deixa os lábios peganhentos.

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Proibições

por Cristina Nobre Soares, em 24.08.16

Quando a tua religião e comunidade te proíbem que mostres o corpo e a lei do país onde vives te proíbe que o tapes, há muito que se lhe diga sobre o que ainda é ser mulher neste mundo.

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Casas de bonecas

por Cristina Nobre Soares, em 22.08.16

Os novos vizinhos continuam a fazer a mudança. Ainda não vivem cá, mas as janelas já têm cortinados. Imagino que os móveis já estejam todos montados e os quadros nas paredes.Quando eu era miúda a minha irmã mais velha fazia-me casinhas de bonecas para eu brincar. Impecáveis, com as loicinhas meticulosamente dispostas em cima de naperons pequeninos, e com restos de tecidos a fazerem de lençóis de camas imaginárias. Eu achava lindas as casinhas que a minha irmã me fazia, tão lindas que tinha medo de as estragar. E inventava histórias com as bonecas que se passassem fora de casa. Para não as desarrumar. Talvez por isso goste tanto de histórias de aventuras.

 
 
 
 

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Devia ser fraquito

por Cristina Nobre Soares, em 18.08.16

Penso que é desta que vou escrever um poema. Um daqueles que falam em gin tónico e sexo desprendido. Mas batem-me à porta. É para dar para as festas da vila. Dou-lhes três euros e poema vai-se. Ainda não foi desta, devia ser fraquito. Cada qual é para o que nasce.

 
 

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Falo hoje disso no P3. Aqui.

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Das versões da cigarra e da formiga

por Cristina Nobre Soares, em 16.08.16

O  Verão é tempo de recolher histórias para o Inverno. Os dias são demasiado longos para as escrever.

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Analgésico

por Cristina Nobre Soares, em 15.08.16

Quando nos falta o ar ou o espaço na casa, vamos à janela e debruçamo-nos sobre a nossa própria rua. Às vezes não vemos ninguém, mesmo quando passa muita gente. Outras vezes, do nada, ou porque queremos mesmo muito, saltam-nos à vista as falhas dos outros, olha-me a figurinha daquele fulano. As falhas dos outros acalmam-nos. O ridículo alheio é um analgésico mesquinho para as dores da vida.

 
 
 

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