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O meu nome é Cristina e já dei uma festa de Halloween

por Cristina Nobre Soares, em 31.10.15

Olá, o meu nome é Cristina e já dei uma festa de Halloween. Mas cumpri os doze passos do caminho da tradição e agora até já mando a minha filha ao Pão por Deus. Com saquinho de pano e tudo. Que voltará cheio de gomas compradas no Lidl, marshmallows (qual é mesmo o nome disto, em português?), chocolate espanhol (com alguma sorte, suíço também) e broas com pinhões chineses. E ela voltará, e de faces rosadas perguntar-me-á: Ó mãe, posso ir ver vídeos da Taylor Swift no Youtube? E eu direi que sim, pensando, ao menos não se vestiu de bruxa.

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Desafio. Venham daí essas histórias assombradas.

por Cristina Nobre Soares, em 31.10.15

Ou de Assombrar. Ide aqui para saber mais :)

 

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Já não há lugar para os cépticos

por Cristina Nobre Soares, em 30.10.15

Já não há lugar para os cépticos. Nem para os melancólicos, cautelosos, pessimistas. Nem para os zangados, pois estes só se podem zangar com a indignação da semana. As almas cinzentas passaram de moda, são uma espécie de terylene que só convém usar por casa. Para ninguém ver. Cá fora convém usar a felicidade de pronto-a-vestir. Daquela feita em série, com mais de oito horas laborais e que tantas vezes vem com linhas mal rematadas nas costuras. E nos botões. E os cépticos destoam. Desfeiam a tendência da estação com as suas questões de corte de alfaiate. E reparo agora que os sarcásticos, também. Raios, lá terei de me calar.

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Erva doce

por Cristina Nobre Soares, em 28.10.15

Há qualquer coisa nos dias de Outono que cheira a erva doce. E eu lembro-me de umas broas que uma tia minha fazia. São as broas dos santos, dizia. Eu sentada ao canto mesa de tampo de fórmica, a olhar o lá fora. Um lá fora de chão vermelho e verdes senescentes. Tão diferente dos prédios e das tílias raquíticas da minha rua. Não comes a broa? Ela a perguntar-me, enquanto eu depenicava as nozes. E eu, de cara enterrada nas mãos, com os olhos para além dos vidros, a pervinca a tapar um dos quadrados da janela, a humidade a desenhar-se nos cantos, o cheiro quente a bolos, sem coragem de lhe dizer que o sabor da erva doce me agoniava. Ainda hoje agonia.

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Assombrados em Óbidos

por Cristina Nobre Soares, em 27.10.15

Amanhã sai a última história dos Assombrados, desta primeira série. Oito histórias que não aconteceram, mas que podiam ter acontecido. Todas elas ligadas entre si, como se fossem um percurso de uma terra qualquer. Para começar esta ideia meia louca, escolhemos a Vila de Óbidos. E o estranho ano de 1949. Um trabalho a seis mãos, com fotografia, escrita e ilustração. Afinal, toda a gente gosta de uma boa história. De a ouvir e depois de a contar. E diz que vai acontecer uma exposição sobre isto. Mas isso é outra história que revelaremos em breve.

Diz que os Assombrados moram aqui.

 

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Moscatel

por Cristina Nobre Soares, em 25.10.15

O homem que está à minha frente na fila da caixa, faz sucessivos telefonemas. Em todos diz a mesma coisa, o funeral é hoje à tarde, às quatro. Depois dá as indicações detalhadas de como chegar ao cemitério. Coloca as compras no tapete rolante. Leva uma rosa embalada e duas garrafas de moscatel.

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Do silêncio.

por Cristina Nobre Soares, em 21.10.15

Voltávamos juntos no mesmo autocarro. Falávamos de trivialidades, riamos só porque sim. Às vezes não tínhamos nada para dizer e instalava-se aquele desconforto que o silêncio traz preso às pernas. E dizíamos coisas como, é assim, ou vai chover. Um dia ele interrompeu-me. E se formos agora calados? E se não dissermos mais nada um ao outro até chegarmos? E fomos. Até que o silêncio nos pareceu normal. Nesse dia percebi que o que não se diz por vezes tem mais força que o som avulso dos nossos medos.

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Sobre isto de se ser mulher

por Cristina Nobre Soares, em 20.10.15

Perguntam-me se sempre gostei de ser mulher. Respondo que não. Que nem sempre gostei de o ser. E antecipando o porquê, conto um episódio. Era o dia do casamento de uma prima minha. Eu teria uns doze anos, e a minha mãe tinha-me comprado uma roupa nova. Uma que assentasse bem no peito que crescia a olhos vistos, para meu embaraço. Mas que não te faça parecer uma mulher pequena, comentou a minha mãe. Eu não percebi muito bem o sentido da frase. Suspeitei que tivesse a ver com o meu novo corpo, que me sobrava, desajeitado. Não liguei. Afinal era dia de casamento, o que significava que eu iria brincar com os meus primos até às tantas e empanturrar-me com bolos até ficar enjoada. O costume, portanto. Mas algo mudou nesse dia. Estás uma mulher, disseram-me as minhas tias. Vai ter ali com elas, disseram-me. Elas, eram as outras raparigas, algumas mais velhas do que eu, a quem lhes tinha sido dada a responsabilidade de tomarem conta dos mais pequenos. Vai lá, disseram-me, que tens de te ir aprendendo como se faz. Olhei-lhes o mimetismo irrepreensível, com as crianças pela mão. Pareciam mulheres pequenas. Afinal aquilo que a minha mãe quis esconder com a minha roupa, podia revelar-se de outras formas. Como uma sentença de comportamento. Do outro lado do pátio, os rapazes limitavam-se a passar o tempo. E eu disse, mas os rapazes também vão ser pais e não têm de aprender nada. Mas a vida é assim, responderam-me. E aquelas palavras tiraram-me o ar. Asfixiaram os meus doze anos apenas num corpo. És mulher, limita-te a ser um corpo. Um corpo que criará os filhos que parir. Um corpo que cuidará dos outros. Dos vivos e dos mortos. Um corpo que se limitará a emprestar à existência dos outros. Que te dirão quantos filhos terás, se os poderás, ou não, abortar, como e onde os parirás, como e onde os amamentarás. Serás um corpo sobre o qual toda a gente terá opinião, regras, preconceitos e outros medos. Não, a vida não é assim, não tem de ser assim. E o meu útero não pode ser a minha sentença.

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Pensamento avulso em Entrecampos.

por Cristina Nobre Soares, em 16.10.15

Há dias em que dava jeito um corrector ortográfico no cabelo.

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Lendas de Óbidos

por Cristina Nobre Soares, em 14.10.15

Descubro que nos últimos dias vários leitores têm entrado no meu blogue procurando por “Lendas de Óbidos”. Sai-lhes este texto na rifa. Não é uma lenda a sério, senhores. Daquelas vergadinhas pela tradição, contadas de boca em boca, mais ou menos perto dos fumeiros e fogões. Pois não, não é. Inventei-a eu, para um evento que houve o ano passado, no espaço Ó, a Magia da Transformação. Olhem, paciência. É uma questão de a irem contando em voz alta, com ar de coisa ancestral, que ninguém nota a diferença. E agora que vem o frio, à lareira, calha mesmo que nem ginjas ( que é outra conversa sobre Óbidos)

 A lenda da moura sem voz

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