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O meu irmão tem uma máxima de vida muito interessante: Diz ele, que não acredita que as pessoas façam más escolhas deliberadamente. Que isso não tem lógica, pois somos todos seres inteligentes ou até teríamos entrar mesmo num julgamento moral sobre ser-se boa ou má pessoa. Diz ele, que fazemos sempre (ou acreditamos que fazemos) a melhor escolha possível dentro das hipóteses e informação temos. E faz sentido. Principalmente no que diz respeito a filhos. Queremos sempre o melhor para eles. Por mais bizarras que sejam as opções que tomamos, achamos sempre ser o melhor. Por mais que esqueçamos que os filhos são "nossos" apenas emocionalmente, e o que fazemos os afectará irremediavelmente. Para o bem e para o  mal. Faz parte de ser pai e mãe. Mas no caso desta criança que morreu de difteria, a decisão dos pais, foi-lhe fatal. A minha questão com estes pais é a fácil queda na tentação do medo. Esta questão das vacinas foi levantada à conta duma eventual correlação que havia com o autismo. Nunca foi provada. E o autor desse estudo já veio a público desmentir-se. O medo tolda-nos o entendimento. E por vezes a vontade de querer aprender, e só aprendendo é que aumentamos o número das tais hipoteses perante a partir das quais fazemos a melhor escolha possível. Pior: aprender  não inclui apenas teorias "new age", mastigada em artigos e vídeos alarmistas. É muito mais. Implica muitas vezes o exercício de humildade para aprendermos aquelas coisas chatas, teóricas e aparentemente inúteis, que costumam ter a grande virtude de nos dar pensamento critico. O que eu não percebo, e acho que nunca perceberei, é o que é o conhecimento tem de tão assustador, para que as pessoas o temam tanto. Aliás sempre o temeram. Basta recordar o que acontecia na Idade Média. O que se passa na nossa humanidade para que tudo o que de bom que construímos, até agora, ciência, democracia, educação, progresso, seja implodido desta forma, em troca da soberba da ignorância?  Que moralidade há na opção da não vacinação  quando a cada minuto que passa há crianças que morrem por não terem acesso às mesmas, simplesmente pelas condições miseráveis em que vivem? Não compreendo. E acima de tudo, disto sim, tenho medo. Muito.

 

A respeito desta notícia.

 

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Nada importa

por Cristina Nobre Soares, em 26.06.15

Nada importa. Nada vale realmente a pena para além das nossas vidas pequeninas. Cinco minutos da nossa atenção, do nosso cuidado, serão sempre supérfluos, desperdiçados, mal gastos. A boa vontade dos outros é um artigo de luxo, que por alguma razão damos como certo. Nada importa. É tudo um encolher de ombros. Sim, encolham os ombros, é melhor. Porque a vida dá trabalho. Exige que andemos atentos. Exige esforço. Até porque sem este, a importância que achamos que temos, que a dada altura nos foi atribuída pelo tempo e atenção dos outros, depressa se desvanecerá. E aí, nada mais nos restará senão encolhermos os ombros de novo.

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Pensamentos sem interesse nenhum #1

por Cristina Nobre Soares, em 25.06.15


O medo começa sempre na omissão daquilo que realmente pensamos. A partir daí é uma cadeia avassaladora, à qual chamamos vida apenas por preguiça. Porque ele, o medo, tem essa capacidade: de nos fazer acreditar que não precisamos de respirar de peito aberto, isso é coisa para loucos, para líricos, e que o melhor é ficarmos pelas assoalhadas estreitas daquilo que já conhecemos.

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Domingo à tarde

por Cristina Nobre Soares, em 21.06.15

Hoje não consigo escrever sobre o que se passa lá fora. Talvez seja do calor. Talvez seja porque me incomoda  a necessidade cobarde que as pessoas têm de agradar aos outros. Só porque sim. Só para permanecerem incólumes numa paz, tantas vezes podre, onde ninguém é realmente aquilo que afirma ser.

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18 de Junho

por Cristina Nobre Soares, em 18.06.15

As miúdas riem-se lá em cima, a lembrar que há coisas que não precisam de tradução. O dia tem aquela luz quente, sob a qual se revelam todas as imperfeições. A minha filha queixa-se do calor num inglês que mais ninguém percebe. A outra ri-se. Mãe, como é que se diz calções, em inglês? Penso que os detalhes às vezes nos pesam demasiado no peito. Tornam-se lastro que só serve para material de escrita. Diz-se shorts, respondo-lhe, e penso que a brisa quente no rosto me sabe pela vida.

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Acho que eram Plátanos.

por Cristina Nobre Soares, em 15.06.15

Havia um parque infantil perto do cabeleireiro onde a minha mãe costumava ir. Eu ficava lá, por vezes horas, nos baloiços. As árvores pareciam-me enormes e faltava sempre tanto para tocar com a biqueira dos pés nas folhas. Não conseguia, por mais balanço que desse, mesmo quando o baloiço já ia tão alto que eu fechava os olhos com medo. Depois a minha mãe, já com o cabelo arranjado, chamava-me do lado de fora do portão, anda, são horas. E eu pensava, da próxima vez que vier chego lá. Da próxima vez chego lá.

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Lembrei-me disto: 

"Não tenho terra"

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Prenúncio de chuva

por Cristina Nobre Soares, em 08.06.15

A manhã acordou morna, viscosa, irrespirável. As folhas, o tempo, estão imóveis, cobertos por uma poeira que veio de Sul. Pesa-me a manhã cinzenta nos ombros.  Talvez seja prenúncio de chuva, tomara que sim. Nada que não passe com um aguaceiro.

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Inspiração

por Cristina Nobre Soares, em 06.06.15

Não existe. O que existe é aquela vontade de se dizer não se sabe muito bem o quê, sobre qualquer coisa que nos entrou pelos olhos adentro e que nos ficou a arder na garganta por não encontrarmos as palavras certas. O resto é apenas romantismo.

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Onze.

por Cristina Nobre Soares, em 03.06.15

Ó mãe, tu não estás ouvir nada do que eu estou a dizer, pois não? Rio-me, digo-lhe que não. Suspira e faz-me uma festinha maternal no braço, eu sei, estás lá com as tuas coisas, os teus pensamentos, não faz mal. Fazes onze anos amanhã. Há onze anos que me andas a ensinar a ser tua mãe. E tens feito um bom trabalho, filha.

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